Minha Casuística

Minha Casuística se propõe a ser um campo de interações de vidas e experiências, da análise de cada um. Onde poderemos relatar nosso encontro com a Psicologia e registrar nossas impressões positivas ou negativas, seja na tentativa de um percurso de análise, como também das percepções que alcançamos durante esse processo. O amigo e colaborador Mauricio Paiva, sugeriu-me a abertura desse espaço, já que a pluralidade de vivências registradas, possibilitaria dar cores mais vivas, ao percurso singular de uma análise individual.

Assim começo com a minha experiência. Faço análise individual há mais ou menos 20 anos com algumas breves interrupções. Nesse ínterim tive em meu processo de análise quatro profissionais diferentes. Cada qual, representa um momento crucial de meu processo. Sempre me perguntam se já tive alta. Posso afirmar que pela demanda dos primeiros 20 anos sim e de outras demandas que surgiram também. Porém, análise pessoal para mim (para além das obrigações profissionais que cultivo) se tornou um estilo de vida! Metaforicamente, faço uso do hábito de ir a academia exercitar o corpo, como um exemplo disso. Análise para mim é exercitar minha subjetividade. É como dizem: “Malhar a cabeça!” Num bom sentido, é claro! Fato, que continuo a ter problemas como qualquer um. Estar na vida é problema, lógico! Só não os tem quem não esta mais nela!!!

Contudo, observo que meu trânsito em meio aos problemas se tornou algo mais breve e menos visceral. Por isso, não vejo meu processo de análise como algo que tenha um fim e sim algo que já faz parte de mim.

Espero que aproveitem bem esse espaço e que minha casuística possa agora ser NOSSA.

4 respostas para Minha Casuística

  1. Eduardo disse:

    Flertei com a psicologia pela primeira vez na adolescência. Fui um adolescente muito ansioso. Fiz uma ou duas sessões com uma analista que atendia perto de onde eu morava. Paguei com a mesada que economizara. Sabia que não adiantava pedir para minha família pagar. Psicanálise para eles era frescura. Homem não chora!
    Voltei a terapia já adulto. Ainda sofria com excesso de ansiedade. Tinha uma aversão à idéia de que tudo podia estar relacionado ao sexo. Por isso, fui fazer terapia reichiana. Foi muito legal mas meus problemas com sexo, que não eram todos os que tinha mas uma boa parte deles, me impediram de continuar o processo com um terapeuta, homem. Parei por uns tempos e retomei com uma analista, mulher. Isso foi a 6 anos atrás.
    Desde então aprendi muito. Aprendi que nem tudo é sexo. Aprendi também que quando a gente resiste muito a alguma idéia é aí mesmo que estão as maiores questões. Aprendi que problemas vão e vem. Alguns, como o que me trouxe para a análise, que eu pretendia profiláctica, são probleminhas. Outros, que não vimos ou fizemos questão de ignorar, cedo ou tarde vão nos alcançar. Não adianta fugir. Aprendi, sobretudo, que a terapia, ao contrário do que temia o poeta, não muda a alma, mas nos permite conhecê-la. E lidar com problemas com conhecimento d’alma facilita muito sua resolução.
    É uma viagem para dentro. Turismo radical. Vicia.
    Recomendo!

    • Paula Muniz disse:

      Eduardo
      Muito bacana o relato de sua experiência. Principalmente a contribuição do seu relato com alguns temas que vale a pena explicitarmos mais. Por exemplo: é muito comum relacionarmos o gênero do analista (se é um homem ou uma mulher) enquanto um facilitador para o nosso discurso. Não acho condenável que muitos se sintam mais a vontade com analistas do mesmo sexo, porém um bom analista é aquele que consegue sair desse foco, para seu analisando. Para psicanálise pouco importa o gênero sexual do profissional, já que funcionamos como um certo espelho, do discurso do analisando. Já perdi as contas, de quantas vezes encontrei um analisando, casualmente, fora do setting analítico e muitos retornam na sessão posterior com o seguinte relato: “Não é que você é uma mulher?” Não que eu tenha a intenção de esconder isso, mas fico satisfeita em perceber que estou cumprindo bem o meu papel.
      Sobre a melhor escolha do tipo de análise, em que se identificaria melhor , isso varia muito. Já dizia Freud que a psicanálise está para todos, mas nem todos estão para ela. O importante na escolha de uma análise pessoal é avaliar como você se sente falando na presença do profissional. A psicanálise fornece o conceito de transferência, para explicar isso. É provável que você não tenha se sentido transferido nas experiências anteriores.
      Por fim, algo importante a ser considerado é que a análise pessoal do analisando caminha até onde caminha a análise pessoal do analista. Não sei, ao certo, como isso se comporta nas teorias diferentes da psicanálise. Porém, é um dado que pode explicar alguns números de interrupções de tratamento. Um bom profissional da área deve ter passado pelo processo e de preferência continuá-lo. Apesar de estarmos num lugar de “suposto saber”, também somos humanos e portanto passiveis de nossas questões.
      Muito boa a sua história, de seu encontro com a Psicanálise!

  2. Patricia disse:

    Paula,
    em primeiro lugar: você é de São Paulo?
    estou num trabalho de graduação interdisplinar e preciso de uma entrevista com um psicólogo a respeito de muitas interfaces do mundo jovem. Sendo assim, gostaria de saber se pode me ajudar.
    Agradeço desde já.

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