Aparelho psíquico em Freud

Hoje trago como post, um texto de apoio para disciplina de TCS II curso de medicina/ UFF, confeccionado por mim. Achei gratificante demais elaborar esse texto porque ele reflete um antigo desejo de estudante. Sempre quis um texto objetivo e sintético, que fosse o pontapé inicial, para aguçar meu interesse. Acabei por aguçar mesmo assim, mas foi um longo trajeto, assim apresento a síntese do caminho que percorri. Lembrando que esse é apenas um resumo, e o entendimento mais complexo requer a leitura dos originais. Boa Leitura!

Cada vez mais se reconhece o psiquismo como um forte elemento contribuinte para o processo de adoecimento humano. Por isso, da mesma maneira que ele pode contribuir deflagrando um processo de adoecimento físico, ele também pode interferir para um bom prognóstico de uma afecção.

            Freud (1900) nomeou o aparelho psíquico, como uma organização psíquica dividida em sistemas ou instâncias. Cada instância possui uma localização, uma função e estão interligadas entre si. Num primeiro momento, Freud designou uma divisão de lugares virtuais para a mente: Pré-Consciente, Consciente e Inconsciente. Essa divisão ficou conhecida como a Primeira Tópica (Topo/em grego = lugar).

Num segundo momento, Freud (1920 a 1923) descreveu a estrutura das instâncias, seu modo de funcionamento na estrutura da personalidade e acrescentou os conceitos de: Id, Ego e Superego. Assim definiu-se a Segunda Tópica. Juntas, essas instâncias trabalham nas ações e reações. Porém separadas, possuem papeis específicos a serem desempenhados na mente.

Ego – A essa instância psíquica cabe estabelecer o equilíbrio entre os impulsos liberados pelo Id e as limitações impostas pelo Superego. É a instância que encontra-se no nível consciente do aparelho psíquico, e assim regula as ações e reações dos individuo. O Ego é responsável pelo princípio da realidade, em que é introduzida a razão, o planejamento e a espera do comportamento humano. O Ego representa os valores da sociedade.

Superego – Esta instância divide-se entre a procura do bem estar ideal e a consciência moral, que determina o mal a ser evitado pela mente. O Superego forma-se a partir da introjeção dos valores transmitidos pela família, na infância, e pela sociedade. O superego é o lugar da censura, do corte, do tabu e tem como característica o pensamento dualista (certo ou errado/ tudo ou nada). Sendo ele responsável pela consciência moral, quando sua atuação é reduzida, ou não se sobressai, o id toma o lugar de dominância no psiquismo. Um exemplo disso são as psicopatias, em que falta remorso ou culpa nas atitudes. Quando o superego está equilibrado ele produz a culpa e o pensamento dual, assim nasce o pensamento neurótico: o sujeito dividido.

Id – É uma instância totalmente inconsciente. Nele localiza-se uma espécie de “arquivo” de impressões que recebemos ao longo da vida. Ali ficam guardadas as impressões de desprazer ou “evitação”, que são recalcadas. O id funciona na busca do prazer e evitando o desprazer, assim ele necessita de uma imediata satisfação e não aceita a frustração. Ele desconhece ética ou moral, se expressa sob uma própria realidade e não conhece inibições. Nas crianças o id é um exemplo de maior manifestação. Dada à condição de desenvolvimento da personalidade da criança, o id ainda não se encontra sob forte contenção psíquica. Quando uma criança faz uma “pirraça” (grita ou joga-se ao chão) na intenção de conseguir algo dos pais é o id se manifestando. O id se expressa na forma de reação e ação, naqueles momentos que se age sem pensar.

A descrição acima teve como objetivo uma característica didática, que trouxesse uma noção da importância das funções do aparelho psíquico e uma apresentação superficial desses conceitos. Estudos mais avançados já consideram um dinamismo no aparelho psíquico, em que essas instâncias coexistiriam sem um determinismo exato de suas camadas. Contudo, respeitando o papel desempenhado de cada uma.

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA:

LAPLANCHE & PONTALIS. Vocabulário de Psicanálise.

SIGMUND. F. Obras completas

Registro de produção do texto: http://lattes.cnpq.br/1301297181019133

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4 respostas para Aparelho psíquico em Freud

  1. Ítalo disse:

    Texto bastante conciso, sintético e esclarecedor. Parabéns!

    Ítalo.

  2. Micheli disse:

    Bastante esclarecedor!
    Me ajudou muito na disciplina de Psicologia da Personalidade hehe
    Obrigado! Sucesso!

  3. Luanara disse:

    Perfeito ,me ajudo muito !!!

  4. Will Aguiar disse:

    Ótimo texto, com certeza um “pontapé inicial” para mim. Obrigado!

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