Saúde Mental para iniciantes I

Saúde Mental para principiantes é uma idéia que surgiu a partir da procura, por e-mail de estudantes, que me pediam esclarecimentos sobre o tema. De forma breve estarei postando uma coleção de trechos colhidos, na minha dissertação de mestrado, que podem contribuir para situar os inexperientes e curiosos, nesse campo. Esse é o primeiro. Boa leitura!

A partir da década de 80 asaúde mental tem passado por transformações paradigmáticas, no que diz respeito aos seus saberes e práticas. Esse processo de mudança de paradigma transforma uma assistência, que era centrada no modelo hospitalocêntrico, onde o leito psiquiátrico era a única intervenção de tratamento, em uma nova cena, cuja proposta é um cuidado pautado na integralidade, para além de novas estruturas e dispositivos de assistência.

Os dispositivos da assistência como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Residências Terapêuticas, entre outros[1], trazem uma proposta de invenção de um cotidiano que possibilita trocas sociais aos usuários da saúde mental. Estes se constituem em um desafio à Saúde Pública, já que sua maioria tem laços rompidos ou muito esgarçados com o social. A superação desse desafio envolve mudanças no campo político, social e cultural.  Os novos dispositivos de cuidadoem Saúde Mental surgiram para que o Hospital Psiquiátrico não continuasse sendo a única resposta para o sofrimento psíquico.

De acordo com Amarante (2003: 53.): “… a doença não é um objeto, mas uma experiência na vida de sujeitos distintos”. Deste modo, a implementação de políticas públicas específicas , que contemplem a diversidade de experiências se faz mister para consolidação da Reforma Psiquiátrica. Há que se conhecer o perfil de cada clientela e seus caminhos distintos de entradas e saídas nas instituições: o seu caminhar fora dos muros institucionais.

Amarante (2001) avalia como uma imprudência entender a Reforma Psiquiátrica como uma simples reestruturação do modelo hospitalocêntrico. O cuidado não deve ser visto apenas como um local ou uma nova forma de geografia da assistência, mas deve se traduzir em algo que vá até o usuário, que respeite suas particularidades e necessidades. O cuidado deve ser uma ponte entre aquele que sofre e a sociedade.


[1] Portarias 189 /91, 224 /92 e 336 /02 que regulamentam as modalidades de serviço dos CAPS – Centro de Atenção Psicossocial. Já a portaria 106 /00 regulamenta os Serviços de Residências Terapêuticas. A rede também conta com outras bases de atenção comunitária tais como: ambulatórios de saúde mental, centros de convivência e cultura, as equipes matriciais e hospitais-dia. Em: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. “Saúde Mental no SUS: Acesso ao tratamento e mudança do modelo de atenção”. Relatório de Gestão 2003 – 2006. Ministério da Saúde: Brasília, janeiro de 2007, 85 p.

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