Bullyng escolar – Parte II

O que é corriqueiro nos EUA poderia tomar um lugar de modismo no Brasil?

Essa semana a mídia sensacionalista explora o bullyng escolar como fator desencadeador do massacre de Realengo. Embora não se tenha como precisar se o bullyng foi o deflagrador desse processo, ainda assim, torna-se alarmante essa perspectiva.  É fato, que a maioria dos pacientes psiquiátricos tenham passado por bullyng em algum momento. Contudo, isso não seria uma fórmula matemática de atos de loucura, mas tira o véu sobre uma questão ainda relegada a segundo plano nos colégios: o bullyng é um importante risco a saúde mental de quem sofre e pode levar ao sofrimento, o grupo que o cerca. Um risco a ser considerado em tempos de barbárie humana!

Lembrando meu post anterior sobre o assunto:

O Bullyng Escolar tem o efeito de comprometer a estruturação saudável da personalidade (já que sua maior incidência é no período da puberdade a adolescência), comportando sentimentos negativos que implicam diretamente na auto-estima, trazendo incertezas sobre um ambiente escolar, em que possa se desenvolver em sua plenitude. Recentemente casos de suicídio juvenil e ataques armados aos agressores são corriqueiros no EUA.

O que é corriqueiro nos EUA poderia tomar um lugar de modismo no Brasil?

O tipo de tragédia ocorrida em Realengo é a primeiro ocorrida no Brasil, mas nada garante que seja a última, pois um número considerável de pessoas, no Brasil, são vítimas diárias de Bullying, o que poderia causar motivação para outras mentes desequilibradas, a fazer igual ou mesmo pior. Por isso, trata-se de uma associação perigosa atribuir, tão somente ao bullyng o ocorrido na tragédia de Realengo.

Ainda assim deve-se manter o sinal vermelho ligado para todos os Educadores, Pais de Alunos e autoridades, que possuem a obrigação de tratar este assunto com mais seriedade e não tamparem o Sol com a peneira!

 

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5 respostas para Bullyng escolar – Parte II

  1. Tenho uma opinião particular sobre o assunto. Sofri Bullying por diversos aspectos, entre eles: pq estudava mediante a bolsa escolar (meus pais não tinha condições de pagar as altas mensalidades escolares que naquela época já eram predominantes nos ditos colégios excelentes) hoje verdadeiras empresas que administram números e não desenvolvem ser humanos, em segundo, pq não tinha os cabelos lisos e nem o corpo no formato de tábua(como hoje virou “lugar comum” em nossas jovens que sofrem com anorexia – aliás sugiro que este assunto em especial seja tratado aqui). Hoje, estou viva. Não matei ninguém, não deixei de formar minha família, pq ai está a espinha dorsal da sociedade. FAMÍLIA. Quando se tem uma, todas as dificuldades são superadas, mesmo que de forma dolorosa e os obstáculos são vistos como meio de construir um individuo forte. Acredito, que a forma de educar mudou bastante… quem disse que não posso dar uma palmada no meu filho quando for necessária?! Desde quando a palmada é nociva?!
    Muito mais do que isso tudo que presenciamos nos últimos tempos é a falta total de respeito pelo outro. Da falta de limites e porque não do DESAMOR.
    O que estamos criando?!
    Paz e Arte!

  2. aida disse:

    Espero voce e seus leitores na
    segunda 23 de maio 2011 na Enfermagemda USP
    ( perto do Hospital das Cllinicas da USP)
    as 19 hs, maiores informações
    forumpopulardesaudesp@gmail.com
    com o Paulo Roberto Spina, do Fórum Popular de Saúde de São Paulo

    Ola Anderson
    Eu me chamo Aida e sou psicanalista lacaniana faz trinta anos. E penso que posso inserir certas considerações nesse debate que voce expoe.
    A tragedia que aconteceu na escola de Realengo deve-se exclusivamente a falta de politicas publicas na área de saude, principalmente na area de saude mental ! vou traçar um paralelo para te convidar ( caso voce esteja em Sampa) para vir debater na Escola de Enfermagem da USP com o Forum de Saude – um movimento popular que se debruça e faz ações para cobrar saude – Incrivel mas aqui em São Paulo temos acesso a todos os conhecimentos que foram ate aqui desenvolvidos pelo saber humano para tratar a saude, mas a politica do lucro impera impedindo que qualquer brasileiro ( inclusive quem paga duas vezes – via os planos de saude) tenha acesso ao seu direito inalienável da saude
    Voltado à proposta do paralelo imagine um aparelho cardiaco, pois bem, ele, em cada pessoa, vem com uma estrutura.. uma mais eficiente para a tarefa e outras que dependem de tratamentos e medicações. Ora, um cardiaco grave por falta de acesso a um tratamento e/ou à medicação pode, ao dirigir um carro, um avião passar mal e matar muitas pessoas…pode !
    Voce sabe que o discurso personalista ( há quase um provérbio que aponta para nossa fragilidade psíquica diante de propostas que massacram a vida marxista – “sintoma burgues é sustentar uma explicação que não muda a realidade danosa!” Marx) encobre as responsabilidades dos políticos e autoridades publicas diante dos problemas de saude juntando mais a falta de conhecimento sobre as deficiencias psiquicas ( psicose e autismo) ! forma-se uma gororoba social dificil de engolir e pior monta-se o discurso que serve para fortalecer a parte da sociedade que apavorada reage sem senso critico e com a virulencia de quem tem o medo sem controle…o inconsciente vaza, faz uma especie de sangramento para fora do consciente tanto no neurotico como no deficiente psquico – os autistas e os psicóticos, permitindo a satisfação dos surtos que podem ser prerrogativas ate das autoridades que fazem construções mirabolantes sobre detectores de metal e 600 psicologas voluntarias ( !) de plantão para fazer técnicas paliativas…mas caps infantil e de alcool e drogas…orientação para as professores encaminharem…
    Fiquei extremamente choca com a violencia das autoridades que formaram fileiras com discursos que levavam ao linchamento de um morto…de uma crueldade atroz mas muito eficiente para ofuscar a responsabilidade deles nesse caso
    Mas conheço de perto o sofrimento dos professores que tentam encaminhar seus alunos deficientes psiquicos, principalmente os que apresentam graves sinais de sofrimento…posto de saude ? hospital? caps? uma ladainha de impossibilidades… fora que quando as professoras e/ou os familiares ja enxergam os sintomas os deficientes psquicos estão com seus sintomas aparentes o que pode ser um sinal de alto sofrimento e de imediata solicitação de tratamento … e essas pessoas ja passaram por pediatras e clinicos que tambem muito pouco podem fazer…ja viu quantos caps infantis existem no país?…bom esse é o começo espero de um debate com mais decisões de quais medidas serão solicitadas das autoridade publicas diante dos Órgãos de Saude publica e dos convenios de saude…ah…mas ai estão outras estórias pavorosas… que podemos lidar negando ou podemos nos autorizar e debruçarmos sobre os problemas que nos tiram a vida

    • Paula Muniz disse:

      Olá Aida! Quem escreve é Paula.
      Muito bacana a sua contribuição e aprecio a forma com que expôs nesse debate. Em especial quando cita: “sintoma burgues é sustentar uma explicação que não muda a realidade danosa!” (Marx) . Infelizmente vivemos em um país em que não se faz política para mudança de realidades. Se faz política para mudar a SUA realidade. Concordo que a rede de Assistência não oferece soluções para melhores encaminhamentos de situações de saúde. Assim, como você mesmo chamou atenção, a sociedade vaza, tal qual um inconsciente a céu aberto. Importante mantermos a chama dessas reflexões sempre acessas porque a mudança se dá nessa interação, que tem sua partida num dialogo, como esse continuado por ti. Que esse possa suscitar outros!!!
      Agradeço o convite para o evento em Sampa, uma pena não ir, mas compromissos me prendem ao Rio de Janeiro. Espero manter essa troca.

      • aida disse:

        Ola Paula

        que tal estreitarmos nossas ideias e melhorarmos o Rio, sou carioca e vivo em Sampa construo pesquisas de politicas publicas e vou levar um debate na UERJ http://www.conlapsa.com.br no fim de agosto lá no meio dos lacanianos… quer ir…ou vamos nos ver em outro cantinho do Rio que tal um cafe no meu lindo fluminenses…rs…

        • Paula Muniz disse:

          Olá!
          Me interesso muito em politias públicas, já que sou mestranda em saúde coletiva na UFF. Seria bastante interessante trocar idéias. Poderia me enviar por e-mail os dados da palestra ou quem sabe marcarmos um café. Meu e-mail é lesserpaula@gmail.com. Gostei do temário do congresso. Aguardo seu retorno pelo e-mail.
          Paula Muniz

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