Assédio Moral: tão antigo quanto o próprio trabalho.

Assédio moral ou violência moral no trabalho não se trata de algo novo ou produzido pela sociedade moderna. Existe desde que o trabalho é trabalho.

O assédio moral acontece quando o trabalhador é exposto a situações humilhantes e constrangedoras,repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício do mesmo. Tanto as relações hierárquicas autoritárias, como assimétricas são o meio mais comum por onde se instrumentam esses abusos. O desfecho dessa situação de violência psicológica leva a desestabilização da vítima em seu ambiente de trabalho, comprometendo sua capacidade organizativa e em muitos casos força o trabalhador a desistir do emprego.

Em minha casuística acompanho um considerável número de pessoas que sofrem abusos em seu trabalho. A permanência dessa exposição num tempo prolongado traz uma série de sintomas psicossomáticos. Situações de prevalência de humilhação repetitiva e de longa duração causam sérios agravos à saúde mental, que vão desde o comprometimento da identidade, dignidade e relações afetivas e sociais. Expõem-se aos riscos de incapacidade laborátiva e suicídio são resultados possíveis nesse tipo de abuso. A psiquiatria hoje possui um diagnóstico que é comum enquanto uma resultante de assédio moral: síndrome de burnout.https://paulamuniz.wordpress.com/2010/08/27/burnout-e-bancos-privados-uma-estreita-relacao/

Quando avaliado nesse diagnóstico, o trabalhador necessitará de acompanhamento psiquiátrico e psicoterápico. Muitas vezes faz—se necessário o afastamento do trabalhador do seu local de trabalho. Essa medida, torna-se repetitiva quando o trabalhador coloca-se exposto, novamente, ao ambiente opressor. Enfim um problema que só conseguimos trabalhar no seu efeito, mas que não se desdobra na fonte de abuso.

Lamentavelmente as grandes empresas ou organizações ainda padecem de incentivos que ultrapassem a prevenção do assédio moral. As jornadas coorporativas, reuniões de equipe semanal e atividades do RH são pálidos recursos de fachada, que não atingem o foco do problema. Isso quando não se tornam uma fonte, a mais, de humilhações e abuso de poder. Assim nesse caso, medidas de proteção se tornam a “arma do cotidiano” para lidar com essas questões.


O que fazer quando sofre-se de assédio moral?

  • Resistir: anotar com detalhes toda as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário).
  • Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.
  • Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas.
  • Exigir por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta enviada ao D.P. ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua carta registrada, por correio, guardando o recibo.
  • Procurar seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador).
  • Recorrer ao Centro de Referencia em Saúde dos Trabalhadores e contar a humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo.
  • Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e cidadania.

 

Esse post foi publicado em Assédio Moral, Diagnósticos, Psicologia, Saúde Coletiva, saúde mental, Saúde no Trabalho, Saúde Pública, síndrome de burnout e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Assédio Moral: tão antigo quanto o próprio trabalho.

  1. Muito bom, Paula! Ótimo post!

  2. Luisa disse:

    O assédio moral é tão comum, que nem imaginamos. Infelizmente ele só vem à tona quando provoca alguma sequela orgânica ou psíquica.

  3. Luisa disse:

    Acho que o assédio moral acontece tanto, pois como trabalhadores e “subordinados” talvez não entendam o limite entre “normal” e “anormal”. Como saber até que ponto o comportamento da chefia é uma questão da organização do trabalho ou ultrapassa o limite e pode ser considerado assédio?? Penso que talvez por isso o assédio seja tão difícil de classificá-lo como tal.

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