Recomendações aos jovens psicólogos que desejam exercer a psicanálise.

Assim, aqueles que buscam a formação em psicanálise deveriam antes de tudo fazerem um questionamento intimo sobre “seu jeito para a coisa”.

Em minha recente re-leitura do psicanalista Contardo Calligaris (em especial, “Cartas a um jovem terapeuta”) uma descrição fornecida pelo autor me tocou de forma inusitada. Recordei-me dos muitos estereótipos que nos são oferecidos ao longo de nossa formação. Estereótipos, esses, difundidos por escolas ou grupos, que num dado momento histórico trouxe certos benefícios para consolidar um campo, para a prática da psicanálise. Sempre perseguimos um modelo. Interessante quando se torna recomendado, não recomendar. E sim ser! Antes de tudo!

Calligaris traz uma sugestão curiosa em seu texto: ao invés de perseguirmos um estereotipo profissional, propõem-se traços de personalidade necessários para aquele que deseja seguir a formação em psicanálise. Ou seja: a nossa forma de ser, ver o outro, valores morais e idéias determina o sucesso de escolha nessa profissão.

Ele delineia algumas características pessoais necessárias para formação de um bom profissional, em psicanálise.

  • Possuir um gosto significativo pela palavra como também apreço pelas pessoas, independente do quanto elas podem ser diferentes. Isso inclui lidar com pessoas e estereótipos, que jamais seriam uma escolha, para o nosso convívio pessoal.
  • Ser curioso a respeito da experiência humana, com o mínimo possível de preconceito. Possuir crenças e convicções são importantes. Contudo, essas não podem afetar num julgamento pré-concebido das condutas humanas. Isso tornaria nulas as chances de ser um bom psicanalista.
  • Seria importante que o analista já tivesse certa quilometragem rodada em experiências de vida. Isso o tornaria mas afeito a lidar, como terapeuta, com sintomas e fantasias sexuais, (a exemplo disso) mais condenáveis a seu tempo. Requer um gosto pela escuta do inusitado, com o menos de surpresa e deslumbramento possível.
  • Um futuro analista deve já ter sido paciente e que já tenha tido uma boa dose de sofrimento psíquico. Durante os anos, em que for analista, muitas vezes acontecerá de duvidar de sua própria prática. Existirão casos, em que os pacientes se agarram aos seus sintomas e não se consegue grandes avanços. Nesses momentos será importante lembrar que você sabe da eficácia de sua prática, já que funcionou ao menos para um: você!

Sendo Assim, caso você já tenha tido sua quota significativa de sofrimento, possua desejos um pouco estranhos, não julgue as condutas humanas, trate as pessoas com apreço, goste da palavra e não busca ser um notável de seu grupo: Parabéns e seja bem vindo a matilha de psicanalistas selvagens!!!!

 

 

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