Psicose: uma leitura psicanalítica em Hitchcock.

Estamos todos presos em nossas próprias armadilhas…Eu nasci na minha.”

O filme Psicose do cineasta Alfred Hitchcock, torna-se ainda mais interessante, quando apreciado particularmente do ponto de vista das falas de Norman Bates. A frase destacada acima, reflete claramente a relação confluente de Norman com a mãe. Ilustra o não descolamento da figura materna e a foraclusão do nome do pai, que apresentam-se na psicose. Dentro do modelo edipiano a psicose se dá pelo não reconhecimento da mãe e sua desautorização ao corte simbólico dada pelo lugar de função paterna.

O lugar de pai na neurose é aquele que entra como corte (entrada da lei) na relação mãe e bebê, para que o último entenda que a mãe não é só dele. Que existe algo externo que corta e dá limites a essa relação. Assim, dará inicio a dualidade psíquica, e portanto, ao sujeito dividido. A criança entenderá que existem leis e limites para o gozo. Está instância de dualidade desencadeará o processo de estruturação psíquica da neurose. Isso não aparece na psicose dada a foraclusão do nome do pai.

A relação de Norman com a mãe é tão clara em seus aspectos psicóticos, que ao final a recusa de Norman, pela perda da mãe faz com que ela viva dentro dele mesmo. O lugar simbiótico continua a existir dentro de Norman, mesmo fora do plano da realidade. A psicose cria uma nova realidade para não entrar em contato com a realidade da morte da mãe. Seu lugar se torna assegurado dentro do próprio Norman. Visto que, a mãe realiza atos e fala pela boca do filho. A mãe de Norman toma um lugar psíquico de tamanho poder, que encapsula Norman em seu próprio delírio. Torna-o sujeito de seu delírio e assim delirante. A psiquiatria conceitua psicopatologicamente, esse fenômeno psíquico, como despersonalização do eu. Isso quando a instância psíquica do eu se fragmenta formando novas personalidades.

Enfim, um filme muito ilustrativo e exuberante em aspectos fenomenológicos da psicose. Requer uma leitura mais detalhada e repetida para captar, o que há de particular no discurso da psicose.

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5 respostas para Psicose: uma leitura psicanalítica em Hitchcock.

  1. Penelope disse:

    Paula,sou sua fã desde que juntas trabalhamos vc sabe onde…Adorei o que vc escreveu,embora minha “praia”,digo,linha,seja outra,mas vc é boa no que faz e não é xiita feito suas colegas.Qto ao filme tb gosto mto dele,embora na minha fase atual esteja mais para Almodòvar,algo tipo “Mulheres à beira de um ataque de nervos”!!!!! AhAhAhAhAhAhAhAh!!!!
    Bjs e sucesso pois vc merece!!!!

    • Fábio José da Silva disse:

      Sou uma ´”vítima” das repressões da infância e sei o que foi comentado. Não cheguei a ficar psicótico, porém, tive quase todos os sintomas neuróticos possíveis. Hoje já com 36 anos sei que esse lado me infantiliza muito: o apego pela eterna mãe perdida na infância! Adorei o filme que mostra o quanto a relação pai-mãe-filho, pode ser destrutiva para algumas pessoas (no meu caso autodestruição), no personagem do filme a total personificação da mãe. Muito bom seu comentário, ainda bem que existem pessoas que entendem tal problema. Por muito tempo pensei que fosse o único ser “extraterreno” no mundo, até que na psicanálise descobri TODAS as respostas para uma vida sem muito sentido. Sucesso no seu site, a gente se vê por aí.

  2. Samila Leite disse:

    Olá Paula,
    Estarei fazendo um trabalho da faculdade a respeito desse filme, seria uma analise psicanalítica com relação ao complexo de édipo na atualidade, abordando esse filme como base. Poderia me dar dicas ?

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