Alta X “Normalidade”: Uma contradição em via de duas mãos.

Destaco para reflexão, um trecho de um blog, que tenho afinidades em particular. Nesse trecho me parece clara a ambivalência da relação entre alta como conseqüência de “ser normal” proposta pelo autor. Vejamos abaixo:

“E daí, o que quero dizer com “pessoa normal”? Algo assim: Pessoas que fazem ou fizeram análise (o pretérito perfeito talvez não venha ao caso já que “as altas” do meu conhecimento não depõem em favor dos seus respectivos analistas, mas vá lá que essa impressão possa ser resultado de irremediável inveja), razoavelmente esclarecidas (o que não tem nada a ver com estudo formal. Estudo formal mais prejudica a sanidade do que qualquer outra coisa) e que não vão morrer de doenças degenerativas relacionadas ao stress nem às várias somatizações possíveis e imagináveis.”

É com propriedade que o autor enuncia algo que muitas vezes passa despercebida ao senso comum, do que é um processo de análise pessoal. Não me deterei nesse post a explicar o conceito de normalidade para a psicanálise, mas apenas farei uma breve descrição da relação desta, com a alta de um tratamento, em psicanálise.

É fato, que a tão sonhada alta não condecora – tal qual uma medalha – o sujeito a uma posição de “normal”, até porque a discussão desse conceito envolveria aspectos sociais bem amplos (família, cultura, época, idade, gênero e outros). Dimensão, que ao seu modo, dará enquadre de normalidades variáveis. Sendo assim, traço uma analogia com uma via expressa de 2 mãos.

Digamos que na ida dessa via estamos em busca do alívio de situações imediatistas e quando sentimos a diminuição do peso dessas aflições, nos vemos como mais “normais”. Um número razoável irá interromper seu processo de análise nesse ponto. É preciso explicar que um analista deve manter um analisando, apenas quando observa a perspectiva do próprio de ir além, ou seja: o analisando tem que estar desejoso em dar continuidade. Isso em parte explica as altas que menciona o autor. O desejo do analista por si só, não é suficiente, para a continuidade do processo e nem deve.

Outra situação observada no decorrer do post, é o entendimento. Explicado de forma mais acessível, de que a grande “sacada” de um processo de análise, não está na conclusão do processo, e sim na proficiência em transitar em meio aos sintomas de forma mais saudável e possível. Essa conclusão estaria mais de acordo com a mão de retorno de uma via expressa. Em analogia, seria como olhar por uma janela a via em que se percorreu e refletir sobre o caminho escolhido. Só se toma atalhos quando já se conhece o caminho!

Enfim, uma interessante abordagem de dúvidas genuínas, entremeadas de humor que só poderia ser mencionada por alguém que busca um entendimento mais profundo e analítico sobre si mesmo.

Para conferir o post na íntegra, acesse:

http://leite-de-pato.blogspot.com/2006/11/sonhos.html#links

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Uma resposta para Alta X “Normalidade”: Uma contradição em via de duas mãos.

  1. Post bacana e um bom gosto absurdo na escolha das imagens! Parabéns!

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