Burnout e Bancos Privados: uma estreita relação.


Há 10 anos atrás, constitui minha clínica particular e desde então e cada vez mais, aumentam o número de atendimentos no consultório, de profissionais bancários, que sofrem de Burnout. Também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional. Sujeitos que trazem o relato da devastação subjetiva em que se consomem devido às pressões e exigências esmagadoras de sua função. Todo banco privado possui um setor de RH, onde se encontram psicólogos ocupados em processos de treinamento e seleção de pessoal. Contudo, em minha experiência, nunca tive notícias de campanhas preventivas ou acompanhamento por parte do setor de Recursos Humanos nos casos de Burnout. Digo acompanhar, no sentido de investigar causas individuais para se fazer um senso do que é característico como fator de stress dominante, para cada setor. Incansavelmente envio pareceres, que são acatados quanto ao afastamento do funcionário, contudo quando estes retornam de suas licenças, não vejo iniciativas institucionais que proponham um novo enquadramento ou mesmo tratamento para o problema em questão.

A Síndrome de Burnout , que no inglês significa “queimar por completo”, foi denominada assim por Freudenberger – Psicanalista nova-iorquino, na década de 70 após diagnosticar em si mesmo. Sendo assim, pessoas com a síndrome tendem a consumir-se apresentando alterações físicas e emocionais, onde comportamentos agressivos e irritadiços tornam-se “lugar comum”. No CID X está catalogada como F.43.8. (Estresse de ajustamento ao trabalho), seus sintomas variam em intensidade e combinações sintomáticas. Tais como: fortes dores de cabeça, muita falta de ar, tonturas, tremores, mudanças drásticas de humor, dificuldades de concentração, distúrbios do sono e problemas no aparelho digestivo. Também observamos características importantes como: exaustão emocional, avaliação negativa sobre si mesmo, depressão e indiferença com relação as pessoas que convive e atividades que desenvolve ( está por último funciona como um mecanismo de defesa psíquico). Essa síndrome aparenta predileção por funções que lidam diretamente ao trato de pessoas. Os portadores de síndrome de burnout necessitam de acompanhamento médico especializado (psiquiatra) e psicoterapia. A duração do tratamento é variável e um bom prognóstico depende, em muito, da redução de fontes estressoras.

Trabalhos que envolvam alto nível de stress são os principais causadores de Burnout,principalmente quando há um abuso de liderança, regras muito rígidas de tarefas, cumprimento de metas em prazos irreais e quando o quadro de funcionários é reduzido, sobrecarregando o funcionário com desvio de funções.  Por isso os funcionários de bancos privados disparam no ranking de Burnout. Outro fator que observo, em particular na minha experiência casuística, como grande fonte estressora, são as fiscalizações da instituição privada, que ao invés de se restringir a corrigir o protocolo, vão além disso, causando climas de abuso psicológico e de poder. Pouco respeitam o perfil de funcionamento de cada agência e só se preocupam na reafirmação do próprio poder.

Ora! Precisamos levar em conta que embora exista uma ideologia institucional que define um banco privado, ainda assim cada região e perfil da clientela vão influenciar em abordagens adaptadas a cultura local, como grupal (digo funcionários e clientes).

Então como reflexão final, deixo à sugestão as instituições, que desejam ser mais cuidadosas com seu quadro funcional, que continuem a permitir o afastamento do funcionário antes do agravamento da crise, que façam a investigação das possíveis causas de acordo com cada caso, que façam uso de políticas de planejamento e prevenção ao Burnout. Para que assim possa a premissa :“O trabalho enobrece o homem” , ser mais ato, do que simples palavras esquecidas num papel.

* Futuramente abordaremos o tema: Assédio Moral.

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2 respostas para Burnout e Bancos Privados: uma estreita relação.

  1. Pingback: Assédio Moral: tão antigo quanto o próprio trabalho. | Paula Muniz – Psicóloga

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