Recordar é Viver!!!

“Um interessante recorte sobre o psicológico e complexo núcleo familiar, que nos convida a reflexão de nosso próprio drama cotidiano.”

“Recordar é viver”, é o título e jargão principal do brilhante espetáculo de Hélio Sussekind, escritor brasileiro, em que contracenam Sérgio Britto, Suely Franco, entre outros. A peça ilustra o retrato das relações de idas e vindas de uma família de classe média, e seu trânsito em meio às questões do cotidiano. Em seus personagens encontramos questões psicológicas bem definidas,retratadas nas dificuldades e alegrias em ser parte de uma família. Relevantes problemáticas da vida contemporânea são abordadas: rivalidades entre irmãos, preferências parentais e referências à “síndrome do ninho vazio” (Síndrome do Ninho Vazio, sensação de perda e falta de sentido à vida quando os filhos se mudam de casa).

O elenco desenvolve questões cruciais enunciadas em sentenças dramáticas como, “Gigôlo de Velhos” (dito por João sobre seu irmão, caçula de 30 anos, Henrique), que retrata a experiência contemporânea da adolescência tardia, em que os filhos demoram mais tempo sobre as asas protetoras de seus pais, ao invés de abraçar o mundo de encontro à maturidade.

Outra interessante sentença é “família trancada”, (dita por Bruna namorada de Henrique, em referência a família do namorado) que desenrola com dinamismo na peça, com a demonstração viva da dificuldade de comunicação entre seus membros, como também na repressão de sentimentos, que acabam atualizando-se no sintoma familiar.

Contudo,pérola do texto esta na expressão, “O passado fica mais bonito com o passar do tempo” (dito por Ana, a mãe, sobre as lembranças que tem de sua família), o que faz uma relação interessante ao passado que é re-significado num processo de análise. Com o passar do tempo construímos um “bem dizer” sobre as experiências vividas, mesmo as mais sofridas. Toda família em analogia a uma rosa, tem seus espinhos, mas nem por isso é menos fragante. O valor está na rosa, sendo assim nos valores fundântes e saudáveis que preservamos de nossa inscrição familiar.

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3 respostas para Recordar é Viver!!!

  1. Muito bacana a abordagem. Pegou bem o que assistimos. Por minha conta ressalto a interpretação de Suely Franco um monstro no palco, grande dama do Teatro brasileiro e que toma pra si, toda a atmosfera dessa família que poderia muito bem ser a nossa! Bravo!

    • Paula Muniz disse:

      Suely Franco na interpretação de Ana é sensacional! Praticamente toda função materna cabe ali!
      Outra expressão dramática do texto que me recordo agora é : – O MAIS GRAVE NÃO É A CEGUEIRA NOTURNA, E SIM A DO COTIDIANO. Como as vezes somos cegos a nossa própria dinâmica, em meio as nossas relações, no geral. Nossa!!! Esse espetaculo dá muito o que refletir!! Fiquei realmente “CAUSADA” com isso!!!!

      • Luisa disse:

        A cegueira do cotidiano realmente, é muito grave! Acho que a sociedade hoje vive em um individualismo total, fazendo todos cegos quando se trata do outro. Infelizmente o pensamento somente em si, prevalece. Me parece que a sensação de se colocar no lugar do outro cada vez mais se torna uma utopia….

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