31/05 – 1ª prévia IX Ciranda – Debate sobre Psicanálise e Arte

Um evento que vale a pena conferir. Eu recomendo!

1ª Prévia – IX Ciranda de Psicanálise e Arte

Dia: 31/05/2012

Debate do filmeRaul – O Início, o Fim e o Meio

Direção: Walter Carvalho

Debatedores:

  • Abílio Ribeiro Alves – Psicanalista, Membro da ELP-RJ
  • Ana Paula da Costa Gomes – Psicanalista, Membro da ELP-RJ

Coordenação: Teresa Palazzo Nazar – Psicanalista, Membro da ELP-RJ e École Lettre Lacanienne – Paris

Local: Livraria da Travessa – Shopping Leblon - Av. Afrânio

de Melo Franco, 290 – loja 205 A

Horário: 20h 30min às 22h

Realização: Escola Lacaniana de Psicanálise – RJ em parceria com Livraria da Travessa.

Atividade aberta ao público

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Aparelho psíquico em Freud

Hoje trago como post, um texto de apoio para disciplina de TCS II curso de medicina/ UFF, confeccionado por mim. Achei gratificante demais elaborar esse texto porque ele reflete um antigo desejo de estudante. Sempre quis um texto objetivo e sintético, que fosse o pontapé inicial, para aguçar meu interesse. Acabei por aguçar mesmo assim, mas foi um longo trajeto, assim apresento a síntese do caminho que percorri. Lembrando que esse é apenas um resumo, e o entendimento mais complexo requer a leitura dos originais. Boa Leitura!

Cada vez mais se reconhece o psiquismo como um forte elemento contribuinte para o processo de adoecimento humano. Por isso, da mesma maneira que ele pode contribuir deflagrando um processo de adoecimento físico, ele também pode interferir para um bom prognóstico de uma afecção.

            Freud (1900) nomeou o aparelho psíquico, como uma organização psíquica dividida em sistemas ou instâncias. Cada instância possui uma localização, uma função e estão interligadas entre si. Num primeiro momento, Freud designou uma divisão de lugares virtuais para a mente: Pré-Consciente, Consciente e Inconsciente. Essa divisão ficou conhecida como a Primeira Tópica (Topo/em grego = lugar).

Num segundo momento, Freud (1920 a 1923) descreveu a estrutura das instâncias, seu modo de funcionamento na estrutura da personalidade e acrescentou os conceitos de: Id, Ego e Superego. Assim definiu-se a Segunda Tópica. Juntas, essas instâncias trabalham nas ações e reações. Porém separadas, possuem papeis específicos a serem desempenhados na mente.

Ego – A essa instância psíquica cabe estabelecer o equilíbrio entre os impulsos liberados pelo Id e as limitações impostas pelo Superego. É a instância que encontra-se no nível consciente do aparelho psíquico, e assim regula as ações e reações dos individuo. O Ego é responsável pelo princípio da realidade, em que é introduzida a razão, o planejamento e a espera do comportamento humano. O Ego representa os valores da sociedade.

Superego – Esta instância divide-se entre a procura do bem estar ideal e a consciência moral, que determina o mal a ser evitado pela mente. O Superego forma-se a partir da introjeção dos valores transmitidos pela família, na infância, e pela sociedade. O superego é o lugar da censura, do corte, do tabu e tem como característica o pensamento dualista (certo ou errado/ tudo ou nada). Sendo ele responsável pela consciência moral, quando sua atuação é reduzida, ou não se sobressai, o id toma o lugar de dominância no psiquismo. Um exemplo disso são as psicopatias, em que falta remorso ou culpa nas atitudes. Quando o superego está equilibrado ele produz a culpa e o pensamento dual, assim nasce o pensamento neurótico: o sujeito dividido.

Id – É uma instância totalmente inconsciente. Nele localiza-se uma espécie de “arquivo” de impressões que recebemos ao longo da vida. Ali ficam guardadas as impressões de desprazer ou “evitação”, que são recalcadas. O id funciona na busca do prazer e evitando o desprazer, assim ele necessita de uma imediata satisfação e não aceita a frustração. Ele desconhece ética ou moral, se expressa sob uma própria realidade e não conhece inibições. Nas crianças o id é um exemplo de maior manifestação. Dada à condição de desenvolvimento da personalidade da criança, o id ainda não se encontra sob forte contenção psíquica. Quando uma criança faz uma “pirraça” (grita ou joga-se ao chão) na intenção de conseguir algo dos pais é o id se manifestando. O id se expressa na forma de reação e ação, naqueles momentos que se age sem pensar.

A descrição acima teve como objetivo uma característica didática, que trouxesse uma noção da importância das funções do aparelho psíquico e uma apresentação superficial desses conceitos. Estudos mais avançados já consideram um dinamismo no aparelho psíquico, em que essas instâncias coexistiriam sem um determinismo exato de suas camadas. Contudo, respeitando o papel desempenhado de cada uma.

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA:

LAPLANCHE & PONTALIS. Vocabulário de Psicanálise.

SIGMUND. F. Obras completas

Registro de produção do texto: http://lattes.cnpq.br/1301297181019133

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Sete dias com Marilyn – Uma olhar psicanalítico sobre o filme.

Sete dias com Marilyn traz um recorte de vida, desta estrela hollywoodiana. Michelle Williams encarna Marilyn Monroe como uma diva insegura, que busca a todo o momento a confirmação de seu talento e que demonstra um invólucro psíquico, que chama a atenção, por sua superfície tão frágil.

Um olhar psicanalítico sobre Marilyn (interpretada por Michelle) desvela a possibilidade de uma incrível fragilidade emocional e personalidade dependente. Ela é possuidora de um séquito que a mima em cuidados e a protege de ser tocada, em sua fina superfície psíquica. Algo como se a protagonista pudesse romper-se, a menor brisa. A estrela busca e exige do “outro”, um olhar que confirme e a autorize a sua existência, enquanto uma celebridade. Diante desse olhar de admiração e veneração do “outro” ela se reconhece, e assim cola-se em uma transferência maciça de suas necessidades/sentimentos. Contudo, uma transferência intensa, mas transitória. O objeto de amor para Marilyn é aquele que a autoriza a ocupar o lugar de estrela e reconhecimento pela sua carreira. Em alguns momentos da narrativa, ela muda de objetos (alterna a intensidade de relações entre seus assistentes pessoais e empresário), mas sempre dirige a mesma estrutura relacional: intensa e momentânea.

Seu relacionamento com Colin Clark (Eddie Redmayne) ilustra um dos momentos de âncoramento transferencial de Marilyn. Ela encontra nele o olhar que a autoriza a sentir-se viva e segura. A forma com que a estrela transfere seus sentimentos aponta de forma característica para um possível perfil psicótico. Colin em seu relato auto-biográfico explicita nuances que caracterizam uma mulher, que a todo instante despenca em um abismo emocional. Vale lembrar que esse temperamento de Marilyn ilustra uma fase pré-Kennedy. O que aponta uma estrutura psíquica, que já vinha dando indícios de uma ruptura psíquica posterior.

A diva apresenta um humor que oscila a cada mudança de cena. Vemos a Marilyn sair de um abismo depressivo, para em seguida, uma euforia juvenil. Em seus momentos de queda emocional, ela elege uma pessoa com quem estabelece um protagonismo psíquico, que se assemelha muito a relação anaclítica dos Borderlines (Transtorno de personalidade limitrofe). Vários momentos causam a impressão, de que a estrela porta uma delicada e fina pele psíquica que a protege do mundo, tal qual um recém-nascido. Seus momentos de tensão fazem parecer que Marilyn irá desmanchar-se frente aos olhos, que a observam.

Outra nuance que se destaca no filme é o carisma da personalidade de Marilyn, que tanto é acionado para inspirar sexualmente seus seguidores, como os tornam protetores de suas excentricidades. Não se observa na personagem, uma aparente força de seu temperamento, mas seu ar desprotegido e faceiro torna-se uma forte arma de uma “doce manipulação”.

Enfim, a estrutura psíquica de Marilyn Monroe apresentada no filme, evolui em seu curso, junto à controvérsia de sua vida. Em alguns momentos transita na polaridade de seus humores, em outros caminha limítrofe, a flor da pele de suas fragilidades. Uma diva que em todo seu carisma enigmático, não consegue se resumir, nem aqui. Assim deixo minhas impressões para que instigue a reflexão, dessa personalidade envolvente que não se esgota, ao menos para mim.

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Do Caco a Fala: um estudo de caso (Artigo no formato de publicação)

Olá Leitores!

Primeiro gostaria de agradecer a leitura e e-mail de vocês. Tenho demorado um pouco, em conseguir responder individualmente todas as questões. Porém a tempo responderei a todas. O mestrado em Saúde Coletiva tem sido absorvente! Por solicitação de alguns leitores exponho o artigo do Caco a Fala escaneado do livro. Incluo também referencias para bibliografia e capa. Percebi que assim contemplaria as dúvidas de um número maior de leitores e facilitaria a impressão. Em breve novo post.

O artigo na integra só para leitura encontra-se no link de ARTIGOS do blog. Obrigada e boa leitura!

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Saúde Mental para iniciantes I

Saúde Mental para principiantes é uma idéia que surgiu a partir da procura, por e-mail de estudantes, que me pediam esclarecimentos sobre o tema. De forma breve estarei postando uma coleção de trechos colhidos, na minha dissertação de mestrado, que podem contribuir para situar os inexperientes e curiosos, nesse campo. Esse é o primeiro. Boa leitura!

A partir da década de 80 asaúde mental tem passado por transformações paradigmáticas, no que diz respeito aos seus saberes e práticas. Esse processo de mudança de paradigma transforma uma assistência, que era centrada no modelo hospitalocêntrico, onde o leito psiquiátrico era a única intervenção de tratamento, em uma nova cena, cuja proposta é um cuidado pautado na integralidade, para além de novas estruturas e dispositivos de assistência.

Os dispositivos da assistência como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Residências Terapêuticas, entre outros[1], trazem uma proposta de invenção de um cotidiano que possibilita trocas sociais aos usuários da saúde mental. Estes se constituem em um desafio à Saúde Pública, já que sua maioria tem laços rompidos ou muito esgarçados com o social. A superação desse desafio envolve mudanças no campo político, social e cultural.  Os novos dispositivos de cuidadoem Saúde Mental surgiram para que o Hospital Psiquiátrico não continuasse sendo a única resposta para o sofrimento psíquico.

De acordo com Amarante (2003: 53.): “… a doença não é um objeto, mas uma experiência na vida de sujeitos distintos”. Deste modo, a implementação de políticas públicas específicas , que contemplem a diversidade de experiências se faz mister para consolidação da Reforma Psiquiátrica. Há que se conhecer o perfil de cada clientela e seus caminhos distintos de entradas e saídas nas instituições: o seu caminhar fora dos muros institucionais.

Amarante (2001) avalia como uma imprudência entender a Reforma Psiquiátrica como uma simples reestruturação do modelo hospitalocêntrico. O cuidado não deve ser visto apenas como um local ou uma nova forma de geografia da assistência, mas deve se traduzir em algo que vá até o usuário, que respeite suas particularidades e necessidades. O cuidado deve ser uma ponte entre aquele que sofre e a sociedade.


[1] Portarias 189 /91, 224 /92 e 336 /02 que regulamentam as modalidades de serviço dos CAPS – Centro de Atenção Psicossocial. Já a portaria 106 /00 regulamenta os Serviços de Residências Terapêuticas. A rede também conta com outras bases de atenção comunitária tais como: ambulatórios de saúde mental, centros de convivência e cultura, as equipes matriciais e hospitais-dia. Em: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. “Saúde Mental no SUS: Acesso ao tratamento e mudança do modelo de atenção”. Relatório de Gestão 2003 – 2006. Ministério da Saúde: Brasília, janeiro de 2007, 85 p.

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Analista fala ou não fala???

Já não é a primeira vez que recebo analisandos que me fazem a seguinte pergunta, ao primeiro contato ao telefone: “Sua linha de atendimento é daquelas que falam e explicam o processo ao paciente ou você só fica ouvindo?” 

Essa questão sempre me causa certo estranhamento, já que no primeiro contato acho prudente explicar como funciona o processo de analise. Sei que nem todas as linhas (usando o conceito do senso comum) irão concordar com isso. Mas entendo que o perfil de atendimento de cada analista é determinado por certo estilo, definido pela personalidade de cada profissional. Nessa parte alguns colegas vão pular frente ao PC. Porém entendo que a personalidade do analista não deve comparecer nos tratamentos de seus pacientes, mas como negar que a forma de conduzir venha atravessada por certos tons particulares?

Então…Qual a melhor estratégia ou linha para cada tipo de paciente. Sou a favor da premissa de que A PSICANALISE ESTÁ PARA TODOS, MAS NEM TODOS ESTARÃO PARA A PSICANALISE. Assim explicar como o processo de análise se dá logo das primeiras entrevistas me parece de bom senso. Mesmo que não se trate de uma aula didática percebo que algumas explicações sobre como se dá o processo trazem certo conforto e desinibição nos primeiros contatos. Algo que vejo como fundamental para que os analisandos insistam no processo e se permitam experimentar. Esse é um ponto de vista muito particular de minha clínica e que tem feito seu diferencial até hoje.

 

Contudo, nós analistas não devemos deixar nossos pacientes completamente satisfeitos, já que a análise acontece numa certa dose de insatisfação dos desejos. Assim permita-se a cada caso avaliar até onde deve ir nas explicações. Tudo em análise tem uma certa medida, que só pode ser mensurada no aqui e agora. Essas recomendações têm sua importância, para que não reforcemos estereótipos de mutismo ou de aconselhamentos, tão difundidos pela mídia televisiva.

                Analista fala! Fala no ato, no caso e no momento que faz diferença falar!

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Evento – Ciranda de Psicanalise

Recomendo este evento!

Obs: Salvem as imagens do folder no computador e abram com um zoom de 100% para ler bem a programação. Vai como dica!

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